Por muito tempo, cruzar o Atlântico em poucas horas soava como pura fantasia. Só que entre 1976 e 2003, o Concorde transformou esse sonho em realidade. Resultado de uma parceria entre França e Reino Unido, o lendário jato supersônico fazia Londres–Nova York em três horas. Hoje, essa viagem leva pelo menos sete horas e meia.
O Concorde não era qualquer avião. Ele passava dos 2.100 km/h e voava a mais de 18 mil metros de altitude. Lá de cima, quem estava a bordo enxergava até a curvatura da Terra — um privilégio para poucos. A ideia começou a ganhar forma em 1962, quando empresas francesas e britânicas decidiram apostar em uma aeronave que quebrasse a barreira do som.
Os primeiros testes deram certo em 1969, primeiro na França, depois no Reino Unido. Não demorou muito para começar a transportar passageiros — e até mesmo pousar no Brasil: em janeiro de 1976, um Concorde da Air France aterrissou no Rio de Janeiro, que recebeu voos regulares até 1982.

Viajar no Concorde era exclusivo.. Apesar de caberem até 148 pessoas, só 100 assentos estavam disponíveis, tudo para garantir mais espaço. O avião chamava atenção onde passava — o nariz inclinável, a fuselagem fina e as asas em forma de delta não deixavam dúvidas. Durante o voo, dava pra sentir o momento exato em que o avião dobrava a velocidade do som: Mach 2.
A experiência não era só rápida, mas luxuosa. Refeições sofisticadas, caviar, champanhe — tudo fazia parte do pacote. O preço, claro, também era alto: nos anos 1990, uma passagem beirava os US$ 12 mil, cerca de US$ 20 mil hoje.

O Concorde marcou época, mas acumulava desafios. O gasto de combustível era absurdo. O barulho ao romper a barreira do som irritava muita gente nas áreas sobrevoadas. E, em 25 de julho de 2000, veio a tragédia: o voo 4590 da Air France caiu logo após a decolagem em Paris, matando 113 pessoas.
Entre o acidente, a queda no número de passageiros e os custos altíssimos, ninguém segurava mais o Concorde. O último voo foi em 24 de outubro de 2003, encerrando a trajetória de um dos aviões mais icônicos da aviação.
