Ferrari divulgou oficialmente a Luce, o seu primeiro automóvel totalmente elétrico, um carro que já estava a gerar muita polémica antes de ser lançada ao mercado. Espaçoso, mais de 1.050 cv e custa mais de meio milhão de euros, o novo modelo chega para rivalizar com Purosangue mas é também parte da gama regular da marca italiana.
A Luce representa uma viragem na abordagem da Ferrari. Assente numa nova arquitetura, recorre a quatro motores elétricos criados em Maranello e promete uma experiência de condução que ninguém esperava à marca. O projeto foi ainda desenvolvido em conjunto com a LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive, responsável pelo design do iPhone.

As formas do modelo entroncam nas proporções que a Ferrari tradicionalmente usava. Longo, com mais de cinco metros e com uma silhueta incomum, os seus criadores tiveram como principal preocupação a eficiência aerodinâmica. Resultado é um valor de arrasto muito baixo, obtido sem necessidade de recorrer a qualquer elemento aerodinâmico ativo. Alguém vai gostar, outros nem por isso mas ninguém ficará indiferente.
A Ferrari apostou num habitáculo mais clean e tecnológico, mas não carregado de ecrãs. O interior consegue ser um cinco lugares graças à ausência de túnel central, o que é inédito num Ferrari, e mesmo assim conta com a maior bagageira de sempre num Ferrari, com quase 600 litros de capacidade.

A sensação de conforto e qualidade foi trabalhada, com influências claras do design de produtos tecnológicos de luxo. Alumínio, vidro e interfaces digitais foram cuidadosamente pensados e fundidos para proporcionar uma experiência visual e tátil mais premium.
No capítulo mecânico, cada roda é movida por um motor elétrico dedicado. Em função do modo de condução escolhido através do e-Manettino, temos um conjunto que pode ir desde configurações para potenciar a autonomia ou que exploram todo o potencial do conjunto motriz. No modo Launch Control, a Luce debita os 1.050 cv de potência e é capaz de atingir os 100 km/h em apenas 2,5 segundos.

Uma das grandes novidades está no sistema Torque Shift Engagement. As patilhas atrás do volante já não simulam as sempre presentes mudanças de caixa, mas permitem ao condutor escolher diferentes níveis de binário a débito e de travagem regenerativa, alterando por completo a personalidade do carro quando estamos a atacar uma curva.
Também concebida em Maranello, esta bateria de 800V está integrada estruturalmente no chassis. A capacidade anunciada é de 530 km e a carga rápida aceita até 350 kW. A Ferrari oferece a sua garantia durante oito anos e sem limite de km.
Outro trunfo é o som em si. Ao invés de recriar um ruído artificial, o sistema recorre a vibrações reais do motor elétrico, apenas captando as frequências mais agradáveis para criar um som único.

Com preços a partir de 550 mil euros e quase infinitas possibilidades de personalização, o Ferrari Luce promete ser um dos projetos mais ambiciosos da marca — um elétrico pensado para desafiar a tradição, descurando aquilo que é o ADN da Ferrari.
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