A ideia de que o lançar um dado produz um resultado completamente aleatório é tão comum que é até uma parte do que torna os jogos de azar tão emocionantes. Em teoria, cada face devería ter a mesma hipótese de sair em cada lançamento. Entretanto, alguns estudos sugerem que as coisas podem não ser assim tão simples como parecem.
Cientistas da Universidade Tecnológica de Łódź, na Polónia, sustentam que o lançar um dado não é totalmente aleatório nem caótico. Na sua opinião, trata-se de um sistema dinâmico que, em princípio, poderia ser previsto se se soubessem todas as condições iniciais com bastante precisão.
O matemático Persi Diaconis, de Stanford, exprime essa mesma ideia de uma forma mais técnica: quando se lança um dado entra em jogo um conjunto de variáveis físicas — velocidade, rotação, ângulo, força, posição da mão. Todas essas condições iniciais determinam o resultado final. Em teoria, pequenas diferenças nesses fatores podem resultar em um resultado completamente distinto.

Diaconis também refere que existem imensos parâmetros (12, segundo ele, em términos físicos importantes) mas apenas 6 resultados num dado comum. Ou seja, o “espaço” de possibilidades é tapado em setores que correspondem a cada uma das faces do dado. E consoante onde no lançamento se calhar “cai” nesse espaço, temos um resultado.
O problema é que, na prática, é praticamente impossível controlar ou medir com exatidão todas essas condições. Pequenas diferenças no movimento da mão já chegam para alterar o resultado, e é dessa forma que se cria a vertente de aleatoriedade.
Mas também o próprio dado em si influencia um resultado. Se o dado de 6 faces fosse perfeitamente fabricado, e se houvessem pequenos buracos nas faces do dado, ou por outro defeito de fabricação, já poderá influenciar o lado do dado que irá calhar.
Aliás, detalhes de fabrico, como pequenos furos nas faces ou imperfeições no molde, podem alterar ligeiramente o peso e o equilíbrio. Em testes com dados de 20 faces usados em jogos de RPG, por exemplo, algumas faces apareciam com menor frequência devido a pequenas irregularidades de produção.

Até certo ponto os dados não são “aleatórios” no sentido da física: eles obedecem às leis da determinação. No entanto, como é praticamente impossível controlar todas as variáveis envolvidas no lançamento, para nós o resultado acaba por nos parecer aleatório.
Ou seja, os dados não são verdadeiramente aleatórios – mas na prática, são suficientemente imprevisíveis para continuarem a funcionar perfeitamente como instrumento da sorte nos jogos.
